Arthur - Estranho
sentimento acordar achando que se está em casa; e aí,
aos poucos ir percebendo que você está num hotel. O
calor está forte.
Na
verdade, o calor é imenso! Nem dá vontade de sair da
estação hidroviária, onde compramos as
passagens e almoçamos, muito devido ao ar-condicionado.
Aliás, os pratos são sem feijão, que
absurdo!
Novamente, nos fascinou a hospitalidade do povo de Manaus!
Aproximadamente às 14h45 entramos no barco - e aqui
ficaremos por 6 dias. Minha primeira impressão ao chegar no
segundo andar, onde viajam todos, foi de choque. Foi um baque de "o
que estou fazendo aqui?" ou "por quê não compramos
camarotes?". Haviam mais de 50 redes penduradas, numa área
não muito grande. Na verdade, as redes distanciam-se umas
das outras em 2, 1 ou até mesmo meio centímetro!
Depois de algumas dificuldades, conseguimos nos acertar com nossas
redes.
Há gringo, mas todos em camarote, a
exceção de uns 2. Minha rede é a primeira de
todas, então muita gente que passa esbarra nela. O sol da
manhã deve bater em nossas redes, então acordaremos
cedo. O barco é legal, nada demais. Nossa partida estava
marcada para às 16h00, mas creio que saímos por volta
de 20h30. Nunca sabemos a hora por aqui.
Enfim, as coisas estão boas no barco, melhores do que
imaginei. Só poderemos ter um visual bacana amanhã,
quando tiver sol. Espero dormir pelo menos umas 4 horas. Descobri
agora que são 20h50, e que na verdade partimos 19h30. Como
disse, não temos idéia da hora nessa viagem.
Fim.
P.S.: os rios (Negro, Solimões e o próprio
Amazonas) são imensos. Alguns insetos também.
Mario
- Que loucura! O ambiente por aqui é
realmente muito diferente. Não é violento e
não me sinto inseguro. Acho que a cidade grande nos deixa
constantemente em alerta. Você tem medo de desgrudar de
qualquer coisa, medo de estranhos, de violência e de mau
caratismos. Por aqui, só vejo pessoas alegres, com rugas nas
covas que fazem quando sorrimos. As malas ficam por todos os lados
e rapidamente já conhecemos uma série de pessoas.
Estamos num barco que transporta moradores e cargas, tem
mantimentos mil, móveis, eletrodomésticos e
até motos!
Problemas bobos, mas todos resolvidos: a rede ficou show, meu
sapato precisou de reparos e a vida continua.
Não tenho palavras para descrever minhas
emoções. Ver Manaus se afastar e o barco rumar
para o infinito negro é realmente fascinante. É o
início desta grande aventura.
Arthur - Adendo à população do barco: devem haver aproximadamente 70 redes agora, e todo o tipo de coisa pendurada (frutas, roupas, toalhas, etc.). Há desde bebês até idosos. A maioria está, no momento, dormindo ou vendo tv (há 4 tvs nesse convés). O gringo (meu ex-vizinho de rede) é sósia do Eduardo Dusek. Como são 6 dias de viagem, talvez hajam relatos longos como esse.
Legenda: o mar de redes no barco
Ric
Ter 04 Ago 2009 22:11