Home Data de criação : 07/03/23 Última atualização : 07/05/05 17:36 / 23 Artigos publicados
 

Dia 18 - 21/08/2005  escrito em sábado 21 abril 2007 21:26

Mario - 18º dia de viagem, no ônibus, rumo a Desaguadero, na fronteira com a Bolívia. 14h00, algum sol e algum frio. Ontem chegamos a Puno, na beira do Titicaca, em nossa viagem de trem. Vale ressaltar que vimos um pôr-do-sol fantástico nos Andes. Não digo que é o mais bonito, pois já perdi essa noção faz tempo. Tudo é bonito, cada um de seu modo. A dança no trem que o Arthur mencionou foi bem legal mesmo, coloquei um chapéu e uns enfeites típicos e corri bailando pelo vagão com a peruana que cantava com uma voz meio Yoko Ono, enquanto eu fazia uns iá-iá-iá no mesmo ritmo. Viajei.
             Puno assemelha-se à Cusco em alguns aspectos. Vive bastante de turismo. Tem uma "Plaza de Armas" e um centrinho. Aqui tem uma rua meio "rua das pedras" em Búzios: as pessoas andam de um lado para o outro e tem vários barezinhos com som rolando (muito rock-reggae!). Para variar, gringos de todas as partes do mundo. De manhã, acordamos cedo para fazer um tour pelo Titicaca. Aí começa mais uma grande aventura.
             O Titicaca é imenso. Mais de 8000 m2 de área e atinge profundidade de mais ou menos 250 metros em algumas partes. SInistro. Em muitos lugares não se vê o outro lado. Nas margens, e até bem dentro do lago nasce um "capim" de nome totora - bem mais grosso que um capim normal. Em alguns pontos existem ilhas disso (umas 40); são emaranhados de totora, ancorados no lago, e as pessoas vivem em cima, também em casas feitas de totora. A água é bem clara, e para mergulho parece ter uma visibilidade fantástica. Também é bem oxigenada. Há uma variedade de peixes pequenos mas comestíveis (nativos) e trutas que crescem até um metro (povoada).
             Nosso passeio foi ir visitar um conjunto destas ilhas flutuantes, Nada demais: barquinho, gringo à vera, um guia mala. Acho que foi um pouco de loucura da minha parte, mas "me gusta las locuras". Subi no segundo andar do barco (ancorado numa ilha), tirei calça e casaco e mergulhei no lago. Nadei de uma ilha à outra. 20 metros de profundidade, mais ou menos 3 graus de temperatura, e pouco ar para respirar junto com a altitude (3800 metros de altitude). Nadei sem parar enquanto um frio inacreditável congelava meu corpo. Na outra ilha, conversei bastante com um nativo que me explicou que alguns realmente vivem nas ilhas, mas que nesta época todos querem vender bugingangas e tirar um troco dos turistas.
             A volta foi ainda mais sinistra, pois estava com o corpo já um pouco gelado e resolvi voltar mais tranquilo. Meu corpo começou a doer bastante, e foi impossível fazer um pipizinho que havia planejado. Ao sair da água, meu corpo doía bastante e levei uma meia hoa de casaco, pulando e tentando me aquecer para que meus ossos, músculos e sange voltassem à temperatura natural.
             Fantástico, a maior aventura da viagem, e me enche de orgulho. Nadei no Titicaca!!!
             Depois, nada de mais: ônibus para Desaguadero, na fronteira Perú x Bolívia. Comecei o relato no ônibus e termino num barzinho na rodoviária, quero dizer, no ponto de ônibus de La Paz. Nosso ônibus para Cochabamba sai 23h00. Às 7h00 estaremos lá. A Bolívia é pobre, já deu pra notar.

 

Arthur - 22h15. Estamos num barzinho meio tosco. Aqui, como no Perú, os refrigerantes são servidos à temperatura ambiente, ou seja, bem mais quentes que no Brasil. Horrível. Tudo bem que faz muito frio, mas mesmo assim!
              Bom, o dia começou com um passeio pelo Titicaca. Começou meio sem ar também, devido à uma corrida dada de manhã por mim até o mercado. Na van, vimos que éramos todos gringos.
              O Mario já descreveu bem o Titicaca. Imenso, parece um mar. Um privilégio conhecer num curto espaço de tempo o rio Amazonas, as cordilheiras dos Andes e o lago Titicaca. Espantosos todos.
              O passeio em si não tinha grandes atrativos, além do lago. Tinha umas ilhas flutuantes, de uma espécie de capim-bambu. Assaz intrigante. Acabou que fizemos contatos com outros gringos; esse foi um aspecto interessante.
              Como a grande maioria dos estrangeiros que conhecemos em toda a viagem, os daqui são simpáticos, com variações. Chamou-me a atenção o contraste entre a australiana gente fina e a francesa meio grossa. A primeira era uma pessoa totalmente pra cima, de bem com a vida. É australiana, mas mora em São Paulo com o namorado. A segunda era o oposto, sempre vendo tudo pelo lado negativo, com um excesso de sarcasmo. É curioso duas pessoas tão diferentes num mesmo passeio.
              Outro grande detalhe foi o mergulho do Mario nas águas gélidas do Titicaca. Nadou até a outra ilha. Espantou a todos. Uma grande história para contar aos netos (e a todo mundo), além de minutos de sofrimento pelo frio ao sair da água, heheheh.
              A volta foi meio correria. Li um pouco de Mafalda, do livro que o Mario comprou. Achei interessante. Pegamos o ônibus pra fronteira, e pronto. Estamos na Bolívia. Pegamos uma kombi velha para La Paz (é o único meio de trasnporte daqui para La Paz), e agora estamos esperando a partida de nosso ônibus para Cochabamba, última cidade da viagem. Estamos vendo um programa de auditório bizarro agora.
              A viagem está terminando. Estou com muitas saudades da namorada, do país, dos amigos.
              Adendo: como há muito tempo não faço adendos, aqui vai um. 
              Nesse mesmo bar tosco que estávamos, haviam 2 indivíduos ruins, mas ruins mesmo - bêbados até quase cair. Provavelmente beberam La Paz inteira.
              A "estação de ônibus" é a coisa mais bizarra do mundo. Não dá muito pra descrever: não tem um lugar central, são vários pequenos pontos de venda, com gente pra caramba; o embarque é na rua mesmo, com muita confusão e sem nenhuma informação. Os próprios bolivianos não entendem. O detalhe é que, nessa hora, estava um frio de lascar, aproximadamente 4 graus. De longe, o maior frio que já senti na vida.
              Nossos temores que a viagem para Cochabamba fosse perrengue se confirmaram, de certa forma. O ônibus era quente (que bom), mas o banheiro estava trancado, e o motorista não tinha a chave. Ou seja, não havia banheiro. Nada mal para uma viagem de 6 horas e meia. Mais ou menos com trinta minutos de viagem, as TVs do ônibus começaram a exibir 2 filmes (ou melhor, 1 filme e meio). Horrendos os filmes, e com um volume altíssimo. Qual o sentido de, num ônibus leito, que sai à meia-noite, ter uma televisão com um volume desses, quando todos querem dormir?
              Depois de uma rápida parada para banheiro (segundo o Mario, a temperatura a essa hora, uma e meia da manhã, estava em torno de zero. Que bom que fiquei no ônibus, hehe), o ônibus começou a adentrar numa área de muitas montanhas. Lembrei-me da estrada para Parati! Parecia que fazíamos "8" o tempo todo, ou que andávamos em círculos. O tempo todo, pra lá e pra cá, um horror. Obviamente, o Mario dormiu ferrado o tempo todo, heheheh.
              Terminando esse longo adendo, lembro-me da forma como o sujeito do "terminal rodoviário" escreveu o meu nome na ficha. Ele escreveu "Arthur" da seguinte maneira: "ACTUF". Fiquei boquiaberto ao ler. Às vezes erram, mas isso é demais. Nem falei o "Engel", peguei a caneta e escrevi eu mesmo. "Actuf" é demais! : )

Legenda: Arthur e Mario numa das ilhas de totora, no meio do Titicaca.

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