Mario -
Escrevo antes de dormir, ainda excitado com a última noite
fora do Brasil.
A viagem foi um sucesso ! ! ! Uhuuuu ! ! ! Com hotel pago e 3
dólares na carteira, amanhã só nos resta comer
e partir.
Quando planejamos (mais ou menos) nossa viagem, tudo era uma grande
incógnita. Ouvimos muitos alertas de perigo e realmente
não sabíamos o que nos esperava. Não
encontramos mosquitos da malária (nem usei meu "Off"),
não vimos nenhum matador jogando corpos no rio, não
morremos de frio nem de calor, não fomos roubados,
não passamos perrengue de banho, nem de roupas, nem de fome,
nem de nada!
Todas as minhas expectativas (ou nossas) não foram
simplesmente atendidas. Foram superadas. Super superadas!
Aparentemente
minha empresa não se explodiu nem parou nem nenhuma grande
tragédia ocorreu. Os e-mails que recebi foram de conquistas
e para me tranquilizar. "Está tudo sob controle por aqui".
Graças a Deus.
Volto levando mil presentes para todos os mais chegados, para
família e para todos os que trabalham comigo. Se curti tudo
isso agradeço a todos vocês esses grande
privilégio.
Arthur, amigão do peito, de anos, que será padrinho
de meu casamento (junto com a Lu, é claro), quase casamos.
Moramos juntos esses 20 dias e compartilhamos ou dividimos
experiências, emoções, hospedagem,
decisões e grana. Foi show.
Minha gata que me espere, estou voltando cheio de amor pra dar. A
próxima grande viagem será nossa lua de mel.
No regresso me aguarda uma mudança de casa, muito trabalho e
muita história para contar e ouvir. A flautinha não
evoluiu tecnicamente, mas aprendi músicas novas e agora tem
essa associação tão legal com a viagem. Todos
do hotel vieram falar comigo da "Pantera cor de rosa", que
já praticamente decorei.
O dia de hoje foi de muito caminhar. Cochabamba é uma cidade
grande, e chegamos ainda antes do amanhecer. Para mim a viagem de
ônibus foi tranquila, mas mesmo assim dormi um pouco ao
chegar ao hotel.
Acordei antes do Arthur, sonhando com o metrônomo que queria
comprar. Foi só sonho mesmo; fui nas lojas de música
e só tem digital, só em cash. Não vale a pena.
Depois, fui procurar a lã encomendada por minha mãe,
e andei muito, perguntei muito e, depois de mais de duas horas
caminhando, de visitar todas as lojas (3) e tendas (2), é
claro que espalhadas, descobri que não há lã
natural por aqui.
Cochabamba
é um Rio de Janeiro pequenito. Há um Saara, há
uma Vieira Souto, há favelas, há até um Cristo
Redentor. Zonas ricas e pobres bem discrepantes e, mais nas
áreas pobres e centrais, muitos pedintes. Há muita
pobreza, mas a rua nobre tem hotéis de luxo, bares transados
e até Burguer King.
Andamos
muito o dia todo, com tudo o que mencionei; até na favela
subimos, procurando uma lagoa (meio Rodrigo de Freitas). Não
achei muito turístico, me parece que as coisas bonitas tem
que pegar carro e andar um pouco. No entanto, me pareceu uma cidade
interessante de se passar um pouco mais de tempo. E que dá
até pra morar (ouvi que tem muitos brasileiros aqui).
À noite fomos em um cinema, ver um filme boliviano, muito
engraçado. Retrata as coisas que são muito claras por
aqui com muito humor: descaso policial, corrupção,
pirataria, pilantras e também muita alegria de viver, de
bailar e de levar a vida.
Assim, saio com uma imagem de um país subdesenvolvido, mas
com pessoas alegres e com um jeitinho boliviano para tudo.
Voila!
Arthur - O dia
começou com a chegada, ainda de madrugada, à
Cochabamba. Depois de uma boa andada, encontramos um hotel legal e
barato. Dormi até 11h30, e depois caminhamos pela
cidade.
A Bolívia é o mais pobre dos três países
que visitamos. Batemos umas fotos, compramos algumas coisas e
subimos uma espécie de favela para ver a lagoa. Estava meio
seca; aliás, como tudo por aqui. Acho que não chove
há um tempo por esses lados da América.
Depois, vimos uma comédia boliviana sobre uns trapaceiros.
Uma boa crítica da realidade daqui. Falei com meu amor ao
telefone, cheio de saudade. Terminamos nostálgicos a noite,
andando pelo lado nobre de Cochabamba, tendo todas as nossas
tentativas de usar a "tarjeta" negados. Aliás, é bom
andar à noite pelas ruas sem ter a sensação de
que as suas bochechas estão sendo cortadas de tanto
frio.
A nostalgia trazida pelo fim da viagem tomou conta de nós.
Sentimos saudade de nossas coisas e pessoas no Rio, mas ao mesmo
tempo estamos felizes pelo sucesso da viagem, já sabendo que
daqui há um mês estaremos nostálgicos da
própria viagem. Podemos dizer que ela está
concluída, pois amanhã às 13h00 já
estaremos no aeroporto.
A
viagem foi um sucesso, do início ao fim. Que alegria. Viajar
faz um bem enorme. Conhecer lugares e pessoas novas.
Situações novas, enriquecedoras. A companhia do
Mario, parceiro de viagem e amigo de mais de uma década, foi
fundamental, como um porto seguro na viagem ao desconhecido.
No momento sinto muita saudade do que está no Brasil. e que
vou reencontrar em 30 horas aproximadamente. Saudades da Lu, dos
meus amigos, da minha mãe, do Brasil. A gente é
assim, quer viajar para depois querer voltar.
Outra
grande aventura me aguarda na volta: o início dos
preparativos para mudar de casa. Que tudo corra bem, assim como
aconteceu com a viagem.
Legenda: Arthur com dois menores engraxates na beira do Titicaca