Home Data de criação : 07/03/23 Última atualização : 07/05/05 17:36 / 23 Artigos publicados
 

Dia 19 - 22/08  escrito em domingo 22 abril 2007 17:01

Mario -  Escrevo antes de dormir, ainda excitado com a última noite fora do Brasil.
             A viagem foi um sucesso ! ! ! Uhuuuu ! ! ! Com hotel pago e 3 dólares na carteira, amanhã só nos resta comer e partir.
             Quando planejamos (mais ou menos) nossa viagem, tudo era uma grande incógnita. Ouvimos muitos alertas de perigo e realmente não sabíamos o que nos esperava. Não encontramos mosquitos da malária (nem usei meu "Off"), não vimos nenhum matador jogando corpos no rio, não morremos de frio nem de calor, não fomos roubados, não passamos perrengue de banho, nem de roupas, nem de fome, nem de nada!
              Todas as minhas expectativas (ou nossas) não foram simplesmente atendidas. Foram superadas. Super superadas!
              Aparentemente minha empresa não se explodiu nem parou nem nenhuma grande tragédia ocorreu. Os e-mails que recebi foram de conquistas e para me tranquilizar. "Está tudo sob controle por aqui". Graças a Deus.
              Volto levando mil presentes para todos os mais chegados, para família e para todos os que trabalham comigo. Se curti tudo isso agradeço a todos vocês esses grande privilégio.
              Arthur, amigão do peito, de anos, que será padrinho de meu casamento (junto com a Lu, é claro), quase casamos. Moramos juntos esses 20 dias e compartilhamos ou dividimos experiências, emoções, hospedagem, decisões e grana. Foi show.
              Minha gata que me espere, estou voltando cheio de amor pra dar. A próxima grande viagem será nossa lua de mel.
              No regresso me aguarda uma mudança de casa, muito trabalho e muita história para contar e ouvir. A flautinha não evoluiu tecnicamente, mas aprendi músicas novas e agora tem essa associação tão legal com a viagem. Todos do hotel vieram falar comigo da "Pantera cor de rosa", que já praticamente decorei.
              O dia de hoje foi de muito caminhar. Cochabamba é uma cidade grande, e chegamos ainda antes do amanhecer. Para mim a viagem de ônibus foi tranquila, mas mesmo assim dormi um pouco ao chegar ao hotel.
              Acordei antes do Arthur, sonhando com o metrônomo que queria comprar. Foi só sonho mesmo; fui nas lojas de música e só tem digital, só em cash. Não vale a pena. Depois, fui procurar a lã encomendada por minha mãe, e andei muito, perguntei muito e, depois de mais de duas horas caminhando, de visitar todas as lojas (3) e tendas (2), é claro que espalhadas, descobri que não há lã natural por aqui.
              Cochabamba é um Rio de Janeiro pequenito. Há um Saara, há uma Vieira Souto, há favelas, há até um Cristo Redentor. Zonas ricas e pobres bem discrepantes e, mais nas áreas pobres e centrais, muitos pedintes. Há muita pobreza, mas a rua nobre tem hotéis de luxo, bares transados e até Burguer King.
              Andamos muito o dia todo, com tudo o que mencionei; até na favela subimos, procurando uma lagoa (meio Rodrigo de Freitas). Não achei muito turístico, me parece que as coisas bonitas tem que pegar carro e andar um pouco. No entanto, me pareceu uma cidade interessante de se passar um pouco mais de tempo. E que dá até pra morar (ouvi que tem muitos brasileiros aqui).
              À noite fomos em um cinema, ver um filme boliviano, muito engraçado. Retrata as coisas que são muito claras por aqui com muito humor: descaso policial, corrupção, pirataria, pilantras e também muita alegria de viver, de bailar e de levar a vida.
              Assim, saio com uma imagem de um país subdesenvolvido, mas com pessoas alegres e com um jeitinho boliviano para tudo.
              Voila!

 

Arthur - O dia começou com a chegada, ainda de madrugada, à Cochabamba. Depois de uma boa andada, encontramos um hotel legal e barato. Dormi até 11h30, e depois caminhamos pela cidade.
              A Bolívia é o mais pobre dos três países que visitamos. Batemos umas fotos, compramos algumas coisas e subimos uma espécie de favela para ver a lagoa. Estava meio seca; aliás, como tudo por aqui. Acho que não chove há um tempo por esses lados da América.
              Depois, vimos uma comédia boliviana sobre uns trapaceiros. Uma boa crítica da realidade daqui. Falei com meu amor ao telefone, cheio de saudade. Terminamos nostálgicos a noite, andando pelo lado nobre de Cochabamba, tendo todas as nossas tentativas de usar a "tarjeta" negados. Aliás, é bom andar à noite pelas ruas sem ter a sensação de que as suas bochechas estão sendo cortadas de tanto frio.
               A nostalgia trazida pelo fim da viagem tomou conta de nós. Sentimos saudade de nossas coisas e pessoas no Rio, mas ao mesmo tempo estamos felizes pelo sucesso da viagem, já sabendo que daqui há um mês estaremos nostálgicos da própria viagem. Podemos dizer que ela está concluída, pois amanhã às 13h00 já estaremos no aeroporto.
               A viagem foi um sucesso, do início ao fim. Que alegria. Viajar faz um bem enorme. Conhecer lugares e pessoas novas. Situações novas, enriquecedoras. A companhia do Mario, parceiro de viagem e amigo de mais de uma década, foi fundamental, como um porto seguro na viagem ao desconhecido.
               No momento sinto muita saudade do que está no Brasil. e que vou reencontrar em 30 horas aproximadamente. Saudades da Lu, dos meus amigos, da minha mãe, do Brasil. A gente é assim, quer viajar para depois querer voltar.
               Outra grande aventura me aguarda na volta: o início dos preparativos para mudar de casa. Que tudo corra bem, assim como aconteceu com a viagem.

Legenda: Arthur com dois menores engraxates na beira do Titicaca

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